![]() |
| Mais uma caixa para uma colega de trabalho. Dessa vez, Regiane. |
sábado, 28 de abril de 2012
domingo, 25 de março de 2012
Preferências
Muito além...
A minha casa eu sonhei assim: ao rés do chão.
Com as portas abertas para receber todos os amigos. As janelas largas, bem
altas, em um exagero de luminosidade nos
cantos e recantos. Esconderijos são necessários para que os meus filhos e netos
guardem sua infância. E que possam resgatá-la todas as vezes que se sentirem
ressecados pelo cotidiano.
Os quartos, com todas essas camas, acomodarão a
parentada em Natais, Semanas Santas e festas juninas, julinas setembrinas, o
que for.
A cozinha - veja a cozinha - clara, espaçosa,
com o fogão à lenha onde se possa “quentar fogo” em noites frias e chuvosas!
Aqui recebo comadres e quem queira, para trocar tipos de receitas:
culinária, chás, artesanatos e o quê mais... E para todos os dedos de
prosa. No quintal variedade de bichos de pena com bastante rebuliço nas
madrugadas, após o canto que perpetua as manhãs nas serranias. No canteiro com alguns
pés de couve, de cebolinha e ervas de cheiro, um girassol, que mostre às
margaridas que já são horas. Jasmins, bogaris e damas-da-noite estarão sempre
perfumados. A relva, veja! O orvalho? Sol já está velho, o orvalho já secou...
Lá debaixo das palmeiras, o banquinho de
quatro pernas é um convite para a vesperal. Eles vêm sempre à procura dos
frutos - os pássaros - de todos os tipos e tamanhos. Repare só, como estão
felizes! Eles moram lá na matinha, no pé da serra, mas estão sempre por aqui.
Não é verdade que parece que estão conversando?...
Vizinhança com rio, quis não. Rio é muito
bonito, mas é negócio perigoso. Água mesmo, só da nascente que vai correndo -
olha – vai formando um corguinho, fiapo de água, com a cantiga da liberdade entre os seixos. Com lambaris, piabas, e
outros peixes de menor porte, veja! Só para meu deleite, que sou contra matança
de bicho, ainda que para matar a fome. Para isso, plantei uns pés de milho lá
atrás. Desse lado, uma capela, onde faço minhas preces Àquele que à Imagem e
Semelhança, criou-me. Ouça o silêncio! Aqui não se ouve nem o murmúrio da
Terra. Tudo reverencia o Senhor de todas as coisas. E do tempo...
Esse sonho eu tenho comigo, como um acalanto, a vida inteira. As possibilidades de realizar são bem pequenas, Talvez até pela
magnitude dele. Para mim. Mas isso não
me faz uma pessoa amarga nem infeliz, pelo contrário. Sou bem feliz!
Aprendi, ao longo do tempo, que o que
faz a gente feliz não são as coisas, são as pessoas que temos ao redor!
Porquanto, somos livres quando temos sonhos para sonhar! E assim, voar...
Lécia Conceição de
Freitas.
domingo, 18 de março de 2012
Memórias
Minha
Família, como não amar?!
-
Alô, Liana?
-
Oi, tá boa?
-
Ah , eu não estou boa não. Quebrei um pau no ouvido.
-
O quê? Como assim, você está surda?
-
Não, quebrei um palito de fósforo no ouvido, estava coçando.
-
Santíssimo Sacramento! E agora?
-
Não sei não.
-
Que foi, mãe? (Uma segunda voz no telefone).
-
Sua tia quebrou um palito no ouvido.
- Vai ter que ir ao
PA.
- Elaine falou que
tem que ir ao PA.
- Fala com ela, pra
ir se arrumando que eu vou passar para levá-la. (Uma terceira voz no telefone.)
- Não precisa, vou a
pé.
- A gente se encontra
lá então.
..............................................................
- Será que é grave?
- Não é não, mãe
- E se o palito for
para o cérebro?
- Que isso, mãe , não
tem como!
-Como você sabe?
- Mãe, eu fiz Biologia,
lembra ? Não tem como.
- A sua Biologia não
sabe de nada. O palito vai andando lá dentro.
- Érica, não responde
sua mãe!
- Viiiiiu, pai, viu.
Vamos depressa então.
.............................................................
No colégio:
- Alberto, sua tia
ligou. É pra vocês irem embora. Sua mãe está no PA. Parece que é alguma coisa
no cérebro.
- Ai meu Deus, vou
avisar a Luhara!
- Luhara, a mãe está
no PA. Deu alguma coisa no cérebro.
Um colega de sala
está passando.
- Ô meu, aqui está a
parte do meu trabalho. Não vai dar pra eu falar, a minha mãe está no PA, com
alguma coisa no cérebro.
- Pô, cara, sinto
muito. É grave?
- Tia Liana ligou, é
pra gente ir ficar preparado porque se a mãe tiver que ir pra BH nós vamos pra
casa dela.
- BH, por quê?
- Se tiver que
operar...
- Ixe.
Outro colega:
- Entra aí, meu, vou
levá-los de carro.
- Pô, cara, valeu.
- O que será que
aconteceu com a mãe? Será que o véio
apareceu e deu um pau nela?
-Cê tá doido?!
Deve ser derrame, ou aneurisma.
-Ixe.
...............................................................
O colega chega na
sala de aula:
- Ô turma, a mãe do Alberto
está mal, no PA, está indo pra BH. Parece que está em coma.
- Nossa, vamos rezar
um Pai Nosso! Coitado do Alberto e da Luhara!
................................................................
No PA:
- Todo mundo já chegou,
menos a Lécia.
- Tá chegando, cadê o
João?
- Vai saber...
- Como cê tá?
- Tô bem.
- Coitada, tá tão nervosa que não está dando fé de
nada. Devia ter protegido o ouvido.
- De que, mãe?
- Da friagem.
- A mãe está pior que
a tia Lécia, vai ficar doida qualquer hora.
O funcionário, do PA,
vendo aquele tanto de gente:
- O que foi, algum
acidente, é grave?
- Muito grave, minha
irmã quebrou um palito deeeeesse tamanho no ouvido.
- Mas porque ela
colocou um palito deeeeesse tamanho no ouvido?
- Prá coçar, o palito
quebrou lá dentro.
- Nossa, que gente mais
doida!
Depois de muito tempo
e de muitas reclamações por causa da demora, chamaram a moribunda.
- Só pode um
acompanhante, por favor.
- Assim não é
possível, eu tenho direito, sou a irmã.
- Mãe, não convém, a
sua pressão pode subir.
- Vai seu pai então.
- Acho que o papai
não aguenta, nem eu.
- Os meninos não tem
idade pra isso.
- Vai a Érica, ela entende, é formada em Biologia!
..............................................................
- E então doutora?
- Não tem nada aqui
dentro.
- Mas não é possível,
tem que ter!
- A médica lança um
olhar furibundo e diz:
- Não tem nada aqui,
a paciente está ótima e vocês podem ir embora.
- Mas não vai
receitar nada?
- Se ela sentir
qualquer coisa durante a noite, amanhã ela pode voltar.
...............................................................
- Por isso que este
país não vai prá frente, tinha que encaminhar pra BH, fazer um exame, talvez
precise de cirurgia. Depois a Lécia morre com isso no cérebro, quero ver de
quem vai ser a culpa.
- Calma, mãe.
E vão todos embora, frustradíssimos.
......................................................................
- Qualquer coisa, vocês
podem ligar,
- Não é melhor ela
dormir lá em casa?
- Não precisa, muito obrigada! Vou dormir em casa mesmo,
estou bem.
- Amanhã você não vai
trabalhar. Fica em casa de repouso.
No dia seguinte, ela aproveita o
feriado fora de hora e dorme até mais tarde. Quando levanta vê que a filha já
fez quase tudo antes de ir trabalhar. Com cuidado, pra não balançar demais o
ouvido, começa a varrer a cozinha. Aí então, lá no cantinho ela vê um pedaço de
palito de fósforo quebrado assim meio que na diagonal. Igual ao pedaço que
ficou na sua mão quando quebrou ao coçar o ouvido. Ela pega a bolsa e vai para
o trabalho.
- Ué, você não estava
passando mal do ouvido?!
- Já melhorei, era
labirintite.
Achou melhor nem
mencionar a palavra palito, senão vai ser motivo de chacota em todas as
festinhas familiares e no trabalho.
Qual desculpa deu pra família?
-Ah, o palito deve
ter dissolvido lá dentro. Ponto de cirurgia
não dissolve?... Então, com tanta preocupação
é bem possível.
Este texto eu escrevi, para fazer uma pequena
homenagem à minha família que está
sempre presente em todos os momentos
de minha vida. O caso é verídico; eu dei
apenas uma floreada para criar o sentido
de humor.
Espero que gostem!
não dissolve?... Então, com tanta preocupação
é bem possível.
Este texto eu escrevi, para fazer uma pequena
homenagem à minha família que está
sempre presente em todos os momentos
de minha vida. O caso é verídico; eu dei
apenas uma floreada para criar o sentido
de humor.
Espero que gostem!
Lécia Freitas
sexta-feira, 9 de março de 2012
Dia Internacional da Mulher
Este é um singelo cartão de agradecimento à nossa mãe pelo Dia da Mulher.
Palavras, é pouco para demonstrar nosso orgulho e amor!
Abaixo são algumas fotos da flor que nós Alberto, João Vítor e Luhara, demos a ela.
Presente
Para Lécia Conceição
Ô mãe...
Ô mãe...
independente de como está o seu estado de espírito, estou escrevendo para a mulher mais importante da minha vida
para lhe dizer o quanto é especial. E não se esqueça disso.
No mais, tudo de ótimo sempre em todos os dias, que também são seus.
Todos os dias são das pessoas especiais.
Beijos
Como não amar tudo isso?!
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Preferências
...E o Sabiá cantava!
Minha terra tem injustiça
Preconceitos e rancores
Pobre, preto e
diferente
Todos sofrem suas
dores.
Nossas ruas têm mais
drogas
Nossas praias,
arrastão
Nas cidades, violência
No Planalto, corrupção.
Em andar sozinho, à
noite,
Mais perigos encontro
eu lá.
Roubo, estrupo e bala
perdida
Também mata Sabiá.
Nosso grão que enche
a tulha,
Também enche o vagão,
Mas não pode matar a
fome
Está no bolso do
patrão.
Minha terra tem madeireiras
Que tais não encontro
eu cá
E a bala não perdida
Já matou o Sabiá.
Mas não permita Deus
que eu morra
Sem que eu volte a "sapucar"
Sem que eu veja o Canarinho
A Copa do Mundo
ganhar
E junto com meu País
Ver o futuro chegar.
Sem que eu desfrute
os primores
A que uma Carta faz
jus
A luz, os cheiros, as
cores
Do Eldorado Santa Cruz
Mas não permita Deus que
eu morra
Alquebrado, na fila
do SUS.
---------------------------------------
Mais um trabalho da faculdade! É claro que eu amo o meu País! E sei que tem muita coisa boa, principalmente o nosso Povo, único no mundo. Mas tive que seguir os critérios exigidos...
Lécia Freitas
Lécia Freitas
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Preferências
Senhor, ajudai-nos a construir a nossa casa
com janelas de aurora e árvores no quintal.
Árvores que na primavera fiquem cobertas de flores
e ao crepúsculo fiquem cinzentas como a roupa dos pescadores.
.
com janelas de aurora e árvores no quintal.
Árvores que na primavera fiquem cobertas de flores
e ao crepúsculo fiquem cinzentas como a roupa dos pescadores.
.
.que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc.
Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.
Manoel de BarrosQue a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.
Quadrinhos de decoupagem
Flores
sábado, 18 de fevereiro de 2012
A menina e sua mãe
Ela ouve a voz do irmão mais velho:
- Mãe, tô com fome...
A mãe não responde, não tem o que
responder. A menina sente raiva do
irmão. Será que ele não percebe o desespero, a angústia da mãe? Ela permanece ali no canto brincando com o
irmãozinho, enquanto observa a mãe.
De repente, a mãe se aproxima, pega
o filho menor enganchando-o no quadril e diz aos outros dois:
- Vocês peguem os dois paus do varal e
venham atrás de mim. A mãe sai,
rapidamente, com os dois filhos atrás tentando acompanhar seus passos. Depois
de algum tempo eles param e a mãe entrega o menor à filha, dizendo-lhe:
- Você fique aqui tomando conta
do seu irmão.
- O que a senhora vai fazer?
- Ali tem um pé de abóbora. Vou ver se acho alguma. Menino, pegue o pau
para me ajudar, diz ela dirigindo-se
ao filho mais velho.
- Eu não quero ajudar, tô com
medo de cobra. Olha o tamanho do
capim...
- Se não ajudar não come. A menina
ouve aquilo e pergunta:
- Mãe, eu tô ajudando, posso comer a
parte dele?
- Olha lá mãe, ela tá me insultando...diz o filho mais velho,
quase chorando.
-Todo mundo vai comer. Mas tem que ajudar, diz a mãe, apaziguadora, enquanto
vai cutucando o capim meloso para afugentar alguma cobra ou outro animal que
pudesse molestar a ela ou ao filho.
- Achei, grita a mãe, mostrando aos
filhos uma abóbora verdinha!
A filha olha, primeiro, o rosto da
mãe. A mãe está sorrindo! Vê seu rosto iluminar-se de felicidade e, então, a
menina sente vontade de abraçar aquela abóbora! Junto a esse sentimento vem a
alegria por saber que logo vão comer coisa. Aproxima-se da mãe e diz:
- Ô mãe, essa abóbora com arroz vai
ficar uma delícia, não vai, mãe?
- A gente come a abóbora
hoje. Outro dia, a gente come o arroz,
responde a mãe, enquanto voltam apressadamente. No caminho encontram o avô que
está indo para o sítio onde trabalha.
- Onde ocês tava, pergunta o avô?
- Nós fomos procurar uma abóbora, no pé que eu tinha visto, outro dia. Olha ela aqui, responde a mãe, mostrando a abóbora.
- Ô minha filha, isso não é abóbora, é uma cabaça, diz o avô.
- Não fala isso não, pai, nós não temos nada para comer. Oh, meu Deus,
desespera-se a mãe!
Nesse
momento , a menina sente tudo de uma vez, como se estivesse em um redemoinho. E
agora, como vão fazer? Percebe a decepção, o sofrimento da mãe. Queria inverter
os papeis, pegá-la no colo, acalmá-la... Como num sonho ouve a voz do avô...
- Espia aqui, filha. Tô levando o farelo pros pintinhos do patrão. Você pega um pouco, coa e apura o fubá.
Daí faz um fubá suado. Vai dar para
matar a fome.
A
menina ouve aquilo num misto de alegria e tristeza. No seu coração ela jura pra
si mesma:
- Um dia eu vou crescer, vou
trabalhar, e então nunca mais vamos sentir fome.
Pará de Minas, 26 de maio de 2010
Lécia Freitas
Esse texto, eu escrevi para um trabalho na faculdade, e relata uma passagem da minha vida. Foi uma época muito difícil, graças a Deus passou. Hoje, nos esforçamos para sermos felizes, apesar das marcas, profundas, principalmente na menina. Quem sabe algum dia consigamos esquecer.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Decoupagem e Pátina em garrafas
Assinar:
Postagens (Atom)









































