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| Gosto demais de biscornus! |
segunda-feira, 14 de abril de 2014
sexta-feira, 11 de abril de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
domingo, 19 de janeiro de 2014
sábado, 11 de janeiro de 2014
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
O Amor...O Reencontro
Durante anos esperara por aquele momento e agora ele estava ali, a poucos metros. O grande amor de sua vida, aquele por quem ela tanto chorou. Foi ele que povoou todos os seus sonhos pela vida afora, e foi por causa dele, com certeza, que seus dois casamentos não deram certo. É que ela ficava esperando que, talvez um dia, ele fosse aparecer, montado no cavalo branco, com aquele sorriso que só ele tinha. (Pelo menos para ela, o sorriso era o mais lindo.) E eles seriam muito felizes, em viagens de transatlântico pelas ilhas gregas, ou vendo o pôr do sol, de mãos dadas, em um sitiozinho, por aqui mesmo. E na cabeça dela, isso talvez pudesse acontecer ali agora, quando ela estava prestes a se encontrar com ele depois de tantos anos.
Coincidentemente, aquele era o seu caminho de todos os dias. Só pode ser coisa do destino, ela conclui. O trabalho dela era ali, naquela rua, portanto, passava na ida e na volta bem defronte à casa dele. E todas as vezes lançava um olhar eloquente, embora disfarçado - afinal ele casara-se - na esperança de vê-lo e assim reviver tudo aquilo. E agora ele estava ali, prosaicamente, varrendo a porta da casa. Como num sonho ela vê, em um átimo tudo o que viveu com ele. O namoro de adolescente, as primeiras emoções... E o amor que estava lá atrás volta, com mais força até, revirando tudo. Um turbilhão de sensações a sacode inteirinha e ela só pensa em correr até ele, se atirar nesse sentimento e tomar da vida o que não teve antes.
Mas existe a Razão. Em conflito ela se lembra dos filhos. Como fazer isso com eles? Num impulso ela pensa em dar meia volta, rodear o quarteirão e passar pela rua de baixo. Tinha que preparar o almoço para os filhos naquele horário ou atrasaria todo mundo. Mas ela precisa tentar, precisa daquela chance. Depois de tanto tempo, tinha que ser feliz. Certamente, os filhos entenderiam. E ela continuou a caminhar com as mãos suando, as pernas tremendo. Era um passo para frente e dois para trás. Como, de repente, esse caminho se tornou tão curto!
Envergonha-se ao reconhecer que não é mais aquela mocinha. Envelheceu, não há mais curvas, está pesada. - E agora, o que fazer? A roupa, uma ajeitada, rápida, na roupa. As unhas, ele não vai nem olhar as unhas. Pelo menos estão limpas, lixadas. Por que não passei um batom quando saí?! Devia ter imaginado! Ela quase ri de si mesma, como imaginar um encontro desses?! E os cabelos?! Nenhuma escova, nada, sempre presos, achava mais prático. Ela vai lá no fundo e resgata: ele gostava de cabelos compridos! Rapidamente, solta os cabelos e penteia-os com os dedos.
Como em câmera lenta ela dá os últimos passos que a separam do príncipe encantado de sua vida, da própria felicidade. O que vou dizer? Sim – “Nada mudou, não sei viver sem você” – Como na música do Roberto. Meu Deus é agora! Ele vai me ver, vai me abraçar, vamos ficar juntos e sermos felizes para sempre. Ela nem pensa no detalhe importante que é a mulher dele, com quem está casado pela lei dos homens e da Igreja. Afinal, quem se importa com isso hoje em dia?
E ela passa e ele nem levanta a cabeça. Continua a varrer a porta da casa, naturalmente ajudando a esposa nos afazeres. Consegue reparar, com o canto dos olhos, os cabelos brancos, a pele do rosto enrugada, já curvado. Nem lembra aquele amor do passado. Constata que, também para ele, o tempo passou. O que é um consolo.
Para na esquina para se recompor. Melhor assim, pensa. Ia dar muitos problemas. Apressa o passo, afinal o caminho é longo e o almoço está esperando. Pensa com carinho nos filhos, vive para eles. A única coisa boa que restou do traste do segundo marido.
Quanto a esse amor, bem, ela sepulta de vez. Guarda as lembranças numa caixa lá no fundo da memória. Fica indecisa por um tempo, mas resolve não jogar a chave fora. É tão bom lembrar... “Tem coisas que a gente não tira do coração...” E talvez, quem sabe, um dia...
Lécia Conceição de Freitas
segunda-feira, 29 de julho de 2013
ANÚNCIO
Quero informar que, embora o inverno tenha começado há pouco tempo e que ainda esteja frio, já sinto um prenúncio de primavera no ar, nesta tarde. Paro, um instante, com a minha pesquisa e vou ao quintal ouvir dois pássaros que se comunicam, alegremente, através do canto. Na verdade, não sei se posso afirmar isso. Talvez seja a luz intensa dessa tarde de sábado, esse perfume de magnólias... Talvez o canto dos pássaros, que amo tanto... (Agora, há, também, um bem-te-vi! Bem no pé de goiaba! Meu Deus, como eles cantam!) Não sei se é realmente um estado de coisas ou se é apenas meu velho coração que não se envelhece nunca e anseia por renovação!
Lécia Conceição Freitas
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Amor de Mãe
O ser humano tem uma capacidade imensa de suportar o sofrimento. Pressupondo que a morte seja o maior de todos, quando morre um idoso, naturalmente, as pessoas ligadas a ele ficam sentidas, mas com o tempo tudo passa. Se a pessoa que se vai é mais jovem , principalmente se tem filhos, o choque é mais forte. Para os filhos então, fica uma lacuna difícil de preencher. Os filhos pequenos perdem muito, e é necessário um apoio por parte dos parentes para que suportem a dor. Novamente o tempo vem amenizar o sofrimento. A vida continua e aos poucos todos se ajeitam. O que fica, sempre, é a saudade, e às vezes ensinamentos, exemplos de vida, etc. Frequentemente, nos deparamos com situações em que jovens, crianças, têm suas vidas interrompidas de formas naturais ou trágicas. E nos assombramos. Porque é contra a lógica. Pessoas deveriam viver a vida toda. Isso para uma mãe deve ser terrível. Toda mãe espera que o filho cresça e seja feliz. Aliás, a maior parte da felicidade dos pais vem da felicidade dos filhos. Mas a morte é inevitável, e isso ajuda na hora do desespero. Segundo algumas crenças, talvez até voltem a se encontrar algum dia. Sempre há um lenitivo e o tempo como um bálsamo... Não acredito, porém, ser esse o maior sofrimento que se pode infligir a uma mãe. Aquela que perde um filho para as drogas, para o mundo, sofre muito mais. A cama perfeita faz o silêncio do quarto gritar, gritar, gritar... Nessa hora toda mãe gostaria de ver a bagunça das roupas espalhadas, as meias sujas, o som irritante daquelas músicas horrorosas que os filhos gostam de ouvir. Essa mãe daria a vida para que o tempo voltasse. Segundo Kalil Gibran, em uma passagem belíssima de sua obra, nós, as mães, somos o arco que se retesa para lançarmos a flecha, pelas mãos do Arqueiro rumo ao infinito. Essa associação da missão de uma mãe com os desígnios de Deus, nos deixa ainda com mais responsabilidade quanto ao futuro de um filho. Porque os pais, pais verdadeiros, na concepção da palavra, direcionam, sempre, seus atos ações, atitudes, tudo, com o pensamento na formação do filho. O objetivo é que ele seja um Homem. A mãe, então, espera a perfeição do voo para a sua própria excelência. E se isso não acontece a dor é insuportável. É como se o peito fosse partir em estilhaços. Costuma-se ver mães sentadas em bancos nas sepulturas dos filhos. Como uma visita. A mãe sabe aonde o filho está. Mas se o filho vai embora, ela se afunda. Nem adianta esse cheiro gostoso de rosquinhas de nata assando que invade a casa. As preferidas por ele mas, ele não vai chegar. Quando um filho morre, a mãe perde o físico, o concreto. Mas, ele não foi porque quis. É natural, da própria vida. Resta o consolo de que houve um amor até o fim. Quando o filho vai embora, não. Na verdade, toda mãe espera que o filho lhe faça companhia na velhice. Porque não existe amor unilateral, ninguém ama sozinho. Todo amor pede, clama, exige. Então, quando o filho vai embora há uma negação desse amor. Uma rejeição, absoluta. A mãe ama só. Essa constatação dói mais que a própria morte. Fica a pergunta: O que foi que eu fiz? Onde foi que eu errei? Não é verdade que as mães são perfeitas, mães também erram. Contudo, não existe perdão para elas. O que fica é essa dor, esse aperto no peito, esse vago entre os braços que querem abraçar. Fica um sentimento, imensurável, desperdiçado. Eu tenho os outros filhos. E eu os amo. Mas, um é cada um. E o amor também.
Lécia Conceição de Freitas
domingo, 20 de janeiro de 2013
Das coisas da terra
O mar é lindo! O mar é poderoso! O mar, eu acho, é invencível! Posso ficar tempos observando o vaivém das ondas, admirando as nuances de cores, o ribombar da arrebentação... Mas eu amo mesmo é a terra! Gosto de pegar, sentir-lhe o calor, a essência! E creio que devo ao meu pai essa ternura imensa que sinto pelas coisas da terra. Ele era analfabeto, sem perspectivas, sem esperanças. Um pobre coitado, na visão de muitos. Com certeza, morreu sem saber o sentido da própria vida. Todo o conhecimento que tinha, conseguiu com a experiência da vida, na observância das coisas. Em seus documentos constava que era lavrador e, durante a minha pequenez eu não sabia o que significava. Hoje eu sei: aquele que lavra, que ara a terra para produzir o alimento. Foi com ele que aprendi a fazer a cova e colocar os grãos. E que prazer ver as plantinhas brotando... Um lavrador consegue apurar o ouvido e escutar as sementes rasgando a terra. Lembro-me dele falando, entusiasmado, sobre a limeira que florira e depois os frutos que se anunciavam. Muito antes disso, quando levava a merenda para ele, no roçado, (eu andava léguas para encontrá-lo e só conseguia porque ia observando qual mato estava mais murcho, aonde ele tinha roçado primeiro) ele me advertia que tivesse cuidado com as jaguatiricas que ainda existiam lá em Onça de Pitangui, e com a vaca de bezerrinho novo que estava “pegando”. Que saudade! É claro que a terra não era nossa: meu pai era empregado. Eu não sabia dessas coisas. Como no livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, a pobreza era tanta que não tínhamos como alcançar a situação de explorados, de subjugados.
Eu gostava de andar entre as fileiras das plantações, sentir o verde, a textura de tudo, o cheiro... O feijão, com suas florzinhas roxas, vai se enroscando em qualquer estaca, como num abraço de amor. Quando o vento bate, é lindo ver as folhas balançando, os pendões de milho... São flores. E o arroz, então? As floradas de café, parecendo véu de noiva. E tão cheirosas que os insetos vêm visitar... Para o homem da roça não há nada mais bonito .
Naturalmente, gosto de ver grandes plantações, tudo tão organizado. Quando se viaja, principalmente pelo interior de São Paulo ou Triângulo Mineiro, é bonito os tabuleiros com todo tipo de cultura, com os vários tons de verde, as serras azuis lá longe...(Em São Paulo não há serras, coitados!) A riqueza do país... que não chega até ao lavrador . Feita com máquinas. Ganha-se em produtividade, e tantos outros “ades”, até inevitáveis hoje, devido à necessidade da produção de mais alimentos. Mas, perde-se em poesia. E disso posso falar. Deixem-me falar. Da poesia fina, lapidada, mansa, devagarinho. E da poesia bruta que chega aos borbotões, remexendo a vida da gente. Perdoem-me, mas não conheço nenhuma palavra, nenhuma obra, sobre grandes plantações. Conheço muitas que falam daquele solitário que vai cova por cova sulcando, com profundo respeito, a Mãe Terra. Daquele que, como meu pai, por todos os confins, observa o tempo, o clima, o espaço e atribui a Deus Misericordioso a existência de tudo, com todos os seus mistérios. Como os lavradores mexicanos que cuidam da preservação das diversas qualidades de milho que só existem lá, por ser o berço desse grão. Eles acreditam que o País só existe enquanto existir o milho. Com eles, finalmente, entendi porque meu pai ralhava comigo toda vez que eu trançava os cabelos das espigas novas ainda no pé. Como eu não tinha bonecas gostava de trançar aqueles cabelos de cores variadas, tão macios! Cada fio de cabelo é um grão de milho. A minha brincadeira não deixava a espiga vingar. Perdoe-me, meu pai.
Lécia Conceição de Freitas
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Memórias: O Natal
A ideia que faço do Natal está muito presa às lembranças que tenho do tempo que era criança e morava em Onça de Pitangui. Eu morava com minha avó e meus irmãos e a pobreza era absoluta. Ainda assim foram os melhores Natais. Eu acreditava em Papai Noel. No entanto, eu achava que ele nunca deixara um presente pra ninguém lá em casa porque não tínhamos sapatos para deixar na janela. Ninguém tinha sapatos, então, não era uma coisa que fizesse falta. Na verdade, todo mundo lá era muito pobre e não tinha esse negócio de ganhar presente. Portanto, as coisas não me faziam falta porque eu desconhecia a existência delas.
Eu gostava do clima do Natal: o Presépio da igreja, nossa, era lindo! Na casa de minha tia, ocupava um quarto! Ela plantava arroz para fazer a grama verdinha, o espelho onde colocava os patinhos, ah, era tudo tão lindo, e eu era tão feliz! Era tempo de manga, de chuva, de férias, e embora eu, sempre, gostasse demais da escola, as férias era tempo de muitas brincadeiras. As professoras eram sempre as mesmas, mesmo assim havia uma expectativa sobre qual seria no próximo ano.
Quando me tornei moça, essas expectativas se resumiam ao fato de, nessa noite, poder ficar no footing que havia na Rua Direita até mais tarde. Naquele tempo a gente namorava só de olho, então, era um tempo a mais prá ver a pessoa de quem gostávamos. Os rapazes ficavam parados assim, um do lado do outro, e nós, moças, passávamos prá lá, prá cá. Ir à Missa do Galo era fundamental, à meia noite em ponto.
Em outra época, quando meus filhos eram pequenos, lembro-me de que os Natais eram cheios de magia e de encantamento. Foi um tempo de extrema pobreza. Tanto em Betim, quanto aqui em Pará de Minas, a gente enganava a fome. Eu era muito magra e meus meninos tinham aquela palidez própria de quem tem deficiência de tudo. Ao se aproximar o Natal, eu enfeitava a casa com galhos secos do jeito que dava, e era uma festa. A felicidade era maior quando ganhávamos uma cesta básica. E se tinha um pacote de biscoito então!... Tínhamos um sofá na sala, então deitávamos os quatro e cantávamos a Jesus Salvador. Não havia nada bonito, mas eu os tinha meus, meus filhos, no meu colo, e eu era tão feliz!
O tempo passou, eles cresceram, estão trabalhando, estudando, (até eu estudo!), as coisas melhoraram. Mas ledo engano, a mãe que pensa que os filhos são para sempre. Pelo menos, não no meu caso. As minhas ausências, tanto sofrimento, foram determinantes na formação da personalidade de meus filhos. Cresceram por si, sozinhos, porque eu tinha que trabalhar. Hoje eles querem o que não tiveram, as diversões, as alegrias... Não posso nem criticar. O amor, ah esse?!, ficou lá no sofá, no galho seco, no tempo que passou. Eu os criei do melhor jeito em que acreditava, no entanto, hoje a casa está enfeitada, até "chiquezinha", mas eu, eu estou sozinha. Com certeza, vou passar o Natal passeando pelos blogs. Sonhando, sonhando...
Lécia Freitas
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Verbalizando
CRUELDADE X CIVILIZAÇÃO
Há alguns dias, assistindo ao noticiário local, tive a oportunidade de ver, espantada, algumas imagens da Festa do Frango realizada no Parque de Exposições. Espantada porque, quando falamos em maltrato de animais, como os que a gente vê pela mídia, nunca pensamos que pode estar tão perto. E os adultos ainda levam crianças, que ficam por ali assistindo práticas, à título de esporte, sei lá o quê. Na verdade aprendendo a serem covardes, cruéis.
Eu fico tentando imaginar o sofrimento do animal naquela situação. Há o sofrimento físico devido aos tombos e a força que os peões empregam para subjugar o animal. Objetos que picam e furam, como esporas e ferrões, eu não vi, portanto, não posso afirmar que usam. Mas com certeza, os movimentos feitos pelo peão e pelo próprio animal devem provocar machucados e feridos. Há, também, o sofrimento psicológico, e esse a meu ver, é bem pior. Além de estarem ali num ambiente estranho, fora de seu ambiente natural, no meio de pessoas estranhas, com cheiros estranhos, com barulhos, muitas vezes, ensurdecedores, há a angústia por não reconhecerem a situação, o medo. Devem concordar comigo: é horrível a angústia diante do desconhecido. O medo, em qualquer circunstância. E por que motivo, essa demonstração de força, de pseudo inteligência diante de seres indefesos? Isso é covardia. Alguns dirão: é esporte. E argumentarão que é necessário um alvo móbil para determinadas práticas.
Eu quero acreditar que tanto os pecuaristas quanto os promotores de tais eventos são capazes de inventar, criar algo, algum artefato em substituição aos animais para demonstrar a eficiência habilidades de seus peões. O irônico é que se perguntarem a qualquer um dos envolvidos nesses atos, responderão que gostam muito de animais. Infelizmente não há como mostrar à essas pessoas a crueldade de seus atos, pela própria ignorância de acharem que não estão fazendo nada errado
Isso me faz lembrar Montey Roberts, um norte-americano, com sua história de vida e com seu método de doma sem dor. Alguém pode mencionar o grande número de animais sacrificados em nome da Ciência. Pelo menos há uma desculpa. Totalmente questionável, mas há a desculpa de ser pelo Bem da Humanidade. Ah, mas isso traz dinheiro para Pará de Minas! Chegamos ao ponto.
Constatei, tristemente, a mesma situação em Barretos, SP, quando lá estive por ocasião da maior Festa de Peões e Boiadeiros. Realmente, corre muito dinheiro... Cidade grande, com ares de civilizada e DINHEIRO.
Não vou chegar à questão filosófica e química de que somos todos, humanos e animais – a natureza – , parte de um todo. Vou me ater ao fato de que com tais procedimentos revelamos a nossa verdadeira face ao retomarmos a selvageria, a barbárie – a besta humana.
Lécia Freitas
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Decoupagem em mdf
Essa caixinha eu fiz para minha irmã que adora lilás. A laterais e o fundo eu fiz com esponjado de detergente em um tom de rosa envelhecido.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
domingo, 12 de agosto de 2012
Desabafo
Hoje, Dia dos Pais, acho que vou me apropriar de todas as homenagens que estou vendo por aí. Esperei, sinceramente, ganhar pelo menos um abraço de parabéns. De qualquer pessoa. Mais ainda de meus filhos: Alberto, Luhara, João Vítor. Durante muito tempo da minha vida fui mais pai do que mãe. Era eu quem tomava as decisões, era eu quem tinha que prover o sustento, a segurança, tudo. Tanta coisa que nem me lembro, e o pior, não passou. Continuo sendo pai, embora não reconheçam, talvez porque eu não tenho a energia carinhosa que um pai deve ter. Esse meu papel ambíguo nunca foi reconhecido, muito menos valorizado. E eu não fui capaz de ser os dois: pai e mãe. Os meus filhos não me perdoam a abdicação, forçada, do meu papel de mãe. Eu tive que abdicar! Não havia tempo para ternura, delicadeza, etc.... O tempo era utilizado em como sobreviver. Para eles, no entanto, parece que não foi suficiente. E eu, eu estou sozinha. Essa solidão de agora é a pior que existe, A solidão do desamor, da indiferença.
Mas como eu poderia usar a linguagem das Mães? Eu não tive mãe por isso a desconheço. Nunca a usei, sempre fui estrangeira a ela, a linguagem da ternura e da afeição. E pago caro por isso. Pensei que para demonstrar o meu amor seria bastante deixar de viver a minha vida. Não há aqui nenhum tipo de cobrança ou sacrifício. Foi uma opção minha. Isso é apenas uma tomada de posição.
E não tem o que fazer, não há como voltar atrás e refazer. Não há como ter outros filhos, construir outra vida. Não há mais tempo, não para mim. Contudo, não os culpo. Como poderiam compreender um amor assim, no cotidiano, na crueza, no viés da vida? Seria preciso detalhar, entrever as atitudes, ler nas entrelinhas a história de um amor, que embora rude, é sem medidas, sem tamanho... Um amor que fica por aí no tempo, no espaço, porque ele existe e não tem como voltar para dentro de mim. Eu me tornei assim como uma tempestade que se forma e a chuva não cai. Como um rio que corre, mas não murmura. Como o vento que sopra, mas não canta. Como uma árvore que floresceu deu frutos, mas não dá mais nem sombra. Não tem seiva, não tem vida.
Lécia Freitas
quarta-feira, 25 de julho de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
Hora do Conto
domingo, 24 de junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
Decoupagem em mdf
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As pinturas das caixas são simples.
Algumas com esponjado,
ou com outras técnicas, todas conhecidas.
Porém, se alguém
quiser saber alguma coisa é só perguntar.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Memórias
OS
ANJOS DA VIDA DA GENTE
Quando o pai dos meus filhos
resolveu ir embora (e essa foi a melhor coisa que ele poderia ter feito), ele
chamou o dono de uma loja de móveis usados e vendeu tudo que era nosso. Tudo.
Sem fogão, sem camas, até para os meninos. É claro que chorei, é claro que me
desesperei. Mas foi só por um momento. Arregacei as mangas e comecei a luta. Um
passo de cada vez. Um dia de cada vez. Não havia expectativas. Não havia
esperanças.
Trabalhei dia e noite, noite e dia.
Não havia tempo para ser mãe. Perdi muito da infância e adolescência dos
meninos. Na verdade eles também não viveram essas fases. Não teve como. Não
eram permitidos sonhos. Toda a energia era gasta em sobreviver.
Devo dizer que aos poucos foram aparecendo os
anjos. Todos aqueles que me ajudaram. Não dá prá dizer quantos. Eu costumo
brincar que se ganhasse na megasena e fosse retribuir a todos não sobraria nada. Havia uma senhora,
Clarice, que ficava esperando os meus filhos no caminho da escola e lhes dava
merenda. Ela era empregada doméstica como eu porém, tinha uma situação
financeira melhor que a minha. Foi dessa maneira que eles conheceram iogurte,
biscoitos recheados, essas coisas que as crianças gostam. Não posso me esquecer
de Vera, que sempre me dava pão, leite... Minhas primas Marília e Lilia...
Tantas, tantas...
Meu cunhado deu-me duas camas onde dormíamos
os quatro. Era apertado e eu queria pelo menos mais uma cama. Era época de
Natal e havia uma promoção na cidade – Natal dos Sonhos – que bastava escrever
uma cartinha para o Papai Noel e ser sorteado para ganhar e realizar o seu
sonho. Eu mandei "nnnnnnn"
cartas na esperança de ganhar a cama. Não ganhei. Na época trabalhava de
doméstica na casa do presidente da Ascipam – Associação do Comércio de Pará de
Minas. No dia seguinte ao sorteio conversando com minha patroa sobre o sucesso
da promoção, fiz um comentário a respeito de minha decepção por não ter
conseguido ganhar. No domingo seguinte fui surpreendida com a chegada de meus
patrões em minha casa. Com a cama, o colchão e até os lençóis. Digam-me, não
são anjos?!
Lécia Conceição
de Freitas
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